Uma história sobre a chegada da televisão no Brasil com todos os elementos do folhetim, que logo se tornou a paixão nacional. Amores arrebatadores, poder, intrigas, paixões, ciúmes e desilusões compõem a trama de ‘Nada Será Como Antes’, que será exibida em formato de telefilme no ‘Supercine’ deste sábado, dia 19. A série, exibida originalmente em 2016, é criada por Guel Arraes e Jorge Furtado, tem direção artística de José Luiz Villamarim, e faz parte da programação especial da TV Globo para celebrar os 70 anos da TV no Brasil.

A trama é ambientada em meados de 1940 até o final dos anos 1950, e tem como fio condutor o drama romântico do empreendedor Saulo (Murilo Benício) e da locutora de rádio Verônica (Débora Falabella), que depois se torna uma estrela da TV. A trajetória do casal acompanha a transformação dos meios de comunicação do país. Paralelamente à trama dos protagonistas, a história em torno dos irmãos Otaviano (Daniel de Oliveira) e Julia (Leticia Colin), jovens ousados da alta sociedade carioca que apostam no sonho de Saulo de trazer a televisão para o Brasil, tem grande destaque na trama e estará ainda mais em evidência na versão em telefilme. “As duas histórias funcionam como duas novelas de estilos diferentes. A primeira, mais clássica, e a segunda, digamos, mais apimentada. Além disso, temos a novela propriamente dita que era encenada na trama, uma história do século XIX. Como o gênero é o centro da televisão brasileira optamos por trazer as duas “novelas” para o mesmo plano e como pano de fundo seguimos com as referências que usamos para contar a história da televisão e o sentimento que existia de crença no Brasil, que nessa época era chamado o “país do futuro””, explica o autor Guel Arraes, que ficou à frente do processo de edição para transformar a série em telefilme.

Parceiro de Guel Arraes na criação da obra, Jorge Furtado conta que os dois nutriam um desejo antigo de contar a origem da televisão no Brasil, e que o maior desafio foi reconstruir a época e ao mesmo tempo contar uma história de ficção envolvente, com personagens que representam os sentimentos daquele momento do país .”Nos debruçamos sobre as histórias dos pioneiros da televisão e nas nossas próprias vivências, já que estamos há muito tempo no meio. Através dos primeiros atores que fizeram televisão mostramos um Brasil em transformação, principalmente, pelas mulheres, que mudaram padrões e avançaram costumes, modernizando o país”, analisa o autor.
O diretor artístico José Luiz Villamarim ressalta que ‘Nada Será Como Antes’ não tem caráter documental, mas representa o dia a dia dos profissionais que trabalham na TV. “É uma alegria e uma honra pode participar das comemorações do aniversário da TV brasileira com esta série que agora vira um telefilme. É a história de dois personagens que vivem todas as possibilidades de uma relação amorosa profunda, na época em que a televisão era uma aventura. A paixão é o foco da trama e o pano de fundo é a trajetória da televisão brasileira. Falamos da vida dos profissionais que trabalham no dia a dia com este ofício fascinante”, revela Villamarim.

Protagonista da obra, Débora Falabella conta que foi emocionante participar da série por ter crescido ouvindo histórias sobre o início da televisão. “Meu pai também é ator e participou do início da TV em Minas Gerais. Ele fazia televisão ao vivo e me contava como eram os bastidores naquela época. Depois fui trabalhar na televisão e já estou no meio há 20 anos. É muito bonito entender como tudo começou e acredito que ‘Nada Será Como Antes’ mostra essa trajetória com muita emoção e humor”, conta a atriz.

Na pele do visionário Saulo, que consegue colocar em prática o sonho de construir uma emissora de TV, Murilo Benício acredita que a exibição da trama neste momento é uma forma de homenagear os profissionais que trabalham nos bastidores. “A história mostra como os profissionais da época precisavam ter uma criatividade e um jogo de cintura maior para tudo dar certo, para consertar um erro e torná-lo um acerto. No início tudo era um desafio, uma novidade. Vejo essa exibição especial como uma homenagem a tanto trabalho duro que é feito há sete décadas pela nossa arte”, enaltece o ator.

‘Nada Será Como Antes’ se destaca também pelo primor da fotografia, cenografia e produção de arte, figurino e caracterização, além de uma trilha sonora sofisticada e envolvente. O elenco afinado que deu vida às histórias conta ainda com Bruna Marquezine, Bruno Garcia, Jesuíta Barbosa, Fabrício Boliveira e Alejandro Claveaux, entre outros. Daniel de Oliveira conta que o trabalho está entre os mais marcantes de sua carreira justamente pelos profissionais envolvidos. “O texto, direção e fotografia são impecáveis. O figurino do Cao Albuquerque também foi um grande diferencial na minha opinião, é de uma elegância impressionante. O elenco acreditou muito na história e mergulhou fundo nos personagens. Havia uma sintonia muito grande entre todos e minha recordação é de um frescor absoluto no set de gravação. Foi um trabalho inesquecível”, conclui o ator.

Jesuíta Barbosa interpretou o intenso Davi e conta que ficou marcada em sua memória a forma como as tramas eram conduzidas por diferentes perspectivas. “A televisão conta a história e ao mesmo tempo traça o destino dos personagens. Estou muito animado em ver a série virar longa-metragem. Existe uma qualidade cinematográfica muito forte nesta obra”, acredita o ator.
Criada por Guel Arraes e Jorge Furtado, escrita por Guel Arraes, Jorge Furtado e João Falcão com Mauro Wilson, direção artística de José Luiz Villamarim, direção geral de Luisa Lima e direção de Isabella Teixeira, ‘Nada Será Como Antes’ irá ao ar no ‘Supercine’, exibido depois do ‘Altas Horas’.

10 curiosidades sobre “Nada Será Como Antes”

O coordenador do Memória ABERT, Elmo Francfort, foi um dos consultores da série, principalmente envolvido com a Direção de Arte. Abaixo ele conta 10 curiosidades que ligam a ficção à história real da TV brasileira:

1ª) Existiam 3 câmeras no estúdio da fictícia TV Guanabara, todas da RCA Victor, iguais a da inauguração da TV Tupi, em 1950. Uma era real, pertencente ao acervo do Pró-TV, que foi restaurada pela cenografia da Globo, de Pedro Équi, e a equipe de Shyiozi Izuno, e reativada para trama. Essa câmera inaugurou a TV Tupi (1950), a TV Excelsior (1960) e a TV Gazeta (1970), hoje exposta na sede do Museu da TV. Do modelo RCA TK-30, ela foi utilizada para criação dos dois mockups (réplicas) idênticos a ela.

2ª) Para o figurino foram utilizadas referências reais. Saulo (Murilo Benício) foi baseado no figurino de Flávio Cavalcanti e o de Aristides (Bruno Garcia) no modo como Cassiano Gabus Mendes se vestia na época, tendo sido o primeiro diretor de imagem da TV brasileira, além de diretor artístico da Tupi.

3ª) Para criação das instalações da TV Guanabara, em estúdio, foram reunidas pelo consultor e toda equipe de Direção de Arte, de Nena Alvarenga, referências de 16 emissoras pioneiras da época.

4ª) A neve artificial e a o ventilador para gerar vento foram referências do que se fazia nos filmes de Hollywood nos anos 1950.

5ª) Fotos originais de teleteatros e telenovelas não-diárias da TV Tupi e da TV Paulista serviram de base para criação da novela da trama “Ana Karenina”.

6ª) O romance “Ana Karenina” foi feito na TV brasileira, mas como teleteatro da TV Tupi, não como novela, no “TV de Vanguarda”.

7ª) O visual de Verônica (Débora Falabella) e as referências, quando ela passa a apresentar o programa de rádio, que lê cartas, foi inspirado no programa “Madame D’Anjour”, de Sarita Campos (Rádio Nacional e TV Paulista). Sarita era esposa do primeiro diretor da TV Tupi de São Paulo, Dermival Costa Lima, que depois foi para TV Paulista  (canal 5). Era irmã do diretor Paulo de Grammont e tia da jornalista Helena de Grammont.

8ª) Para composição do figurino de Pitty (Bruna Marquezine) foram utilizados como referências mulheres consideradas “fatais” para época, como Odete Lara, Vida Alves, Marly Bueno, Idalina de Oliveira, entre outras.

9ª) Muitos objetos de “Nada Será Como Antes”, foram utilizados nas gravações da rádio que existia em “Êta Mundo Bom”, na época também em gravação nos Estúdios Globo (no período ainda “PROJAC”). As gravações de “Nada Será Como Antes” foram todas no Estúdio F, em um cenário que ocupou todo estúdio, com até mesmo chão e teto adaptados pela cenografia – no mesmo espaço antes Xuxa gravava seus programas e depois Marcelo Adnet com seu “AdNight”.

10ª) O switcher, reconstruído pela equipe de cenografia de Pedro Équi, com total apoio do consultor, foi feito apenas por referências do switcher original da TV Tupi de São Paulo. Chegou a ser usado como base um manual do switcher da RCA de 1949, igual ao que veio para inaugurar a PRF-3 TV Tupi-Difusora.

Quer mais?

Veja a abertura de “Nada Será Como Antes”, quando era série:

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